Urticária: Você conhece esta doença?

A urticária se manifesta com lesões (empolações) avermelhadas na pele, que coçam muito e incomodam bastante. Podem ter tamanhos diferentes e se juntar formando placas, que duram até 24 horas, e quando somem, não deixam marcas ou cicatrizes. As mesmas lesões podem reaparecer em seguida, em outras partes do corpo.

Em algumas pessoas, a urticária pode vir acompanhada de angioedema (inchaço). O angioedema pode ocorrer em qualquer parte do corpo sendo mais comum nas pálpebras e lábios. Na maior parte das vezes, não coça e pode ser acompanhado de dor ou queimação. Além disso, desaparece mais lentamente, podendo levar de 3 dias para desaparecer. Cerca de 20% da população apresenta um episódio de urticária em algum momento da vida. A urticária pode acometer pessoas de ambos os sexos, em diferentes faixas etárias, do bebê ao idoso.  

Quais os tipos de urticárias?

Existem dois tipos, são eles:

Aguda – que dura menos tempo, no máximo seis semanas. É a mais frequente e ocorre principalmente nas crianças e adultos jovens. Nas urticárias agudas pode haver um mecanismo alérgico, como camarão ou medicamentos. Cerca de 80% das urticárias agudas em crianças aparecem após uma ação inflamatória, causadas por infecções parasitárias, infecções por bactérias atípicas, hepatite A e B, HIV, entre outras.

Crônica – com duração igual ou superior a seis semanas. Atinge mais mulheres entre 25 a 45 anos de idade.

A urticária crônica, por sua vez, pode ser dividida em 2 subtipos:

  • Urticária crônica espontânea: que é a mais frequente e as lesões surgem sem que se encontre qualquer fator externo responsável.
  • Urticária crônica induzida: em que as lesões são desencadeadas por fatores externos específicos (exemplo frio, calor, pressão, vibração), identificados pela história clínica e testes de provocação.

Toda urticária é alergia?

A urticária pode ser a manifestação de uma alergia. Por exemplo, um indivíduo que ingere camarão e desenvolve urticária pelo mecanismo alérgico. O sistema imunológico reconhece a proteína do camarão como algo estranho, e acaba resultando na manifestação clínica que é a urticária.

E no caso de urticária crônica espontânea (UCE)?

No caso da UCE, na maioria das vezes, não existe o mecanismo alérgico citado acima, ou seja, não advém de algo de fora, como a ingestão de um alimento, por exemplo. O que acontece é uma reação do sistema imunológico contra alguma proteína do próprio corpo. Portanto, nas UCEs a autoimunidade é que está em questão.

Os sintomas são causados por qual mecanismo?

Na urticária, ocorre produção exagerada de várias substâncias químicas por células chamadas mastócitos, sendo uma das principais a histamina, que age nos vasos sanguíneos e na pele. A histamina causa dilatação dos vasos sanguíneos com consequente vermelhidão e edema (inchaço) na pele causando as lesões típicas de urticária.

Por isso, nos dois tipos de urticária, a primeira indicação de tratamento são os anti-histamínicos, preferencialmente os mais modernos, de segunda geração, que em geral não provocam nenhum tipo de efeito colateral, como a sonolência tão comum nos de primeira geração.

Terei urticária a vida toda ?

O corticoide está indicado?

Nas urticárias agudas com sintomas moderados/graves, ou nas exacerbações das urticárias crônicas, podem ser indicados corticoides, sempre por períodos curtos de no máximo 10 dias, minimizando seus potenciais efeitos colaterais.  No entanto, nunca devemos tratar uma urticária crônica com corticoides e muito menos sem auxílio de um médico especialista.

Existem outros tratamentos disponíveis?

Para o tratamento da UCE, em pacientes que não respondem aos anti-histamínicos, são indicados os tratamentos com imunobiológicos como o omalizumabe.  Uma pequena parte dos pacientes pode ser refratário ao omalizumabe e terão indicação da ciclosporina, um imunossupressor eficaz mas com risco de efeitos colaterais que devem ser monitorados a longo prazo.

Urticária não é emocional, mas o impacto da doença pode levar à depressão!

A urticária é acompanhada de uma coceira, que por vezes pode ser intensa e quase insuportável, às vezes com sensação de ardor ou queimação. Assim vivem os mais de um milhão de pacientes com urticária.

Urticária e depressão

A urticária não é emocional. Porém, existe uma relação entre a urticária e fatores emocionais. O estresse psicológico interfere na qualidade de vida e na evolução de diferentes doenças, incluindo a urticária, podendo funcionar como um “gatilho” e detonar crises. Estudos científicos apontam o hormônio liberador de corticotrofina (CRF), expresso na pele como um provável fator.

Quem tem urticária crônica, seja pelo prurido como pelo aspecto das lesões, acaba tendo a insegurança de não saber quando vai ter uma crise ou não. Isso causa impacto nos vários aspectos da vida social e afetiva. Tudo isso junto, em algumas pessoas, provavelmente naquelas mais predispostas, pode levar a quadros de depressão, por causa do impacto que tem na qualidade de vida como um todo. É importante ressaltar que não são todos os pacientes que terão depressão, pois muitos encaram muito bem a doença.

Conheça os MITOS relacionados à Urticária Crônica

A pessoa que tem urticária crônica terá também choque anafilático?

MITO. O choque anafilático e edema na glote são mais comuns em pacientes que apresentam urticária aguda, sendo muito raros na urticária crônica. 

Urticária é contagiosa?

MITO. A doença não é contagiosa e nem transmitida de uma pessoa para outra. 

Estou grávida e tenho urticária. Meu filho também terá?

MITO. O fato de a mãe ter urticária não significa que o filho também a terá. 

Pessoas com urticária crônica devem fazer dieta e evitar corantes, leite e glúten?

MITO. Nem toda pessoa que tem urticária terá obrigatoriamente alergia ao leite e ao glúten. Por isso, não há necessidade desta dieta, a não ser em casos específicos detectados pelo alergista. 

A urticária é um desafio. Por isso, procure seu Imunologista e Alergista!!

Um dos desafios de pacientes com urticária é chegar ao diagnóstico correto. É uma jornada muitas vezes longa até descobrir a doença, que afeta o bem-estar e impacta negativamente a qualidade de vida dessas pessoas. Por isso, se você se identificou com estes sintomas ou conhece alguém com estes sintomas consulte seu Alergista e Imunologista. Se ficou com alguma dúvida, comente aqui embaixo!

Para agendar uma consulta conosco entre em contato através (41) 3408.3353 /(41) 99184.3353.

Alergia e Imunologia

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