Conheça os Principais Tumores do Apêndice

O apêndice é uma estrutura anexada ao intestino grosso. É uma estrutura tubular fechada na extremidade posterior e mede cerca de 5 a 10 cm de comprimento e 0,5 a 1 cm de largura. Na maioria das pessoas, o apêndice encontra-se no quadrante inferior direito do abdome. Os tumores do apêndice são representados por três tipos principais: o benigno (16% casos), o maligno (27% casos) e o carcinoide (57% casos), sendo considerado benigno, quando menor que 2 cm, ou malígno quando maior que 2cm. Neste post vamos conhecer alguns dos principais tipos de tumores que afetam o apêndice e entender o um pouco mais sobre cada um.

Adenocarcinoma

O adenocarcinoma de apêndice é uma doença rara e o diagnóstico pré-operatório muitas vezes não é possível. Representa cerca de 0,2% a 0,5% de todas as neoplasias gastrointestinais e acomete mais o sexo masculino, na proporção de 5:2. A lesão é mais comum entre a sexta e a sétima décadas de vida.

Em muitos casos, se apresenta com quadro clínico similar à apendicite aguda, porém pode apresentar grande agressividade loco-regional, invadindo estruturas próximas, confundindo o diagnóstico com neoplasias primárias destas regiões.

O diagnóstico pré-operatório do adenocarcinoma de apêndice é difícil devido a inespecificidade dos sinais e sintomas. A ultrassonografia e a tomografia computadorizada de abdome podem auxiliar, visualizando o tumor em topografia apendicular. O enema opaco pode, em alguns casos, mostrar massa extracecal. O tratamento para o adenocarcinoma do apêndice é feito por intervenção cirúrgica.

Tumor Carcinoide

Os tumores carcinoides são tumores neuroendócrinos que têm origem nas células produtoras de hormônios que revestem o intestino delgado ou em outras partes do trato digestivo. Eles podem também ocorrer no pâncreas, nos pulmões ou, raramente, nos testículos ou ovários. A incidência aproximada dessa neoplasia é de 2 a 3 casos por milhão, com uma preferência pelo sexo feminino de 2:1, porém, sem preferência por raça.

Os tumores carcinoides podem produzir quantidades excessivas de substâncias parecidas com hormônios (tais como a serotonina) que resultam na síndrome carcinoide. A síndrome carcinoide é um grupo de sintomas específicos que ocorre como resultado da secreção hormonal, porém é rara em casos de tumor carcinoide de apêndice. O diagnóstico é difícil, já que normalmente se apresenta como uma apendicite aguda. Na maioria dos casos o diagnóstico é feito após apendicectomia.

Pseudomixoma Peritoneal

O pseudomixoma peritoneal é um tipo de câncer muito raro que costuma começar no apêndice, como uma pequena lesão benigna. Em casos ainda mais atípicos, pode começar também no intestino ou nos ovários. Essa lesão cresce e passa a produzir mucina, um muco gelatinoso, fazendo com que o apêndice aumente de tamanho. Eventualmente, esse líquido espalha células cancerígenas para toda a extensão do peritônio. Por isso,  tumores que causam o pseudomixoma são chamados de mucinosos e costumam causar aumento significativo do abdômen.

Outra característica do pseudomixoma peritoneal é que, apesar de ser uma condição maligna, não se espalha para outras partes do corpo, crescendo somente dentro do abdômen. No entanto, como esse câncer atinge justamente o peritônio, que recobre praticamente todos os espaços e órgãos da região abdominal, o funcionamento de alguns deles pode ser afetado.

Difícil de diagnosticar, o pseudomixoma evolui muito lentamente, apresentando sintomas somente na fase mais avançada da enfermidade. Normalmente, os primeiros sintomas da doença só vão ser notados depois de as células cancerígenas se espalharem pela região, quando toda  a cavidade peritoneal se encontra afetada, pressionando o intestino e causando obstrução intestinal.

Essa neoplasia é mais comum em mulheres acima dos 40 anos. Há o risco de ser confundido com o câncer de ovário, que também causa inchaço abdominal por produzir mucina. Além desse, outros sintomas comuns são a dor abdominal ou na pelve, aumento do volume abdominal, constipação intestinal em pacientes que não apresentavam o sintoma, perda de apetite e perda de peso, sensação de estufamento depois de comer, dificuldade de engravidar no caso das mulheres. Esses sintomas não são exclusivos do pseudomixoma peritoneal, portanto, o acompanhamento médico é essencial para o diagnóstico, principalmente por se tratar de uma doença bastante rara.

Mucocele do apêndice

Mucocele do apêndice é um termo inespecífico utilizado para descrever a dilatação obstrutiva do apêndice vermiforme acompanhada por acúmulo anormal de muco. Trata-se de doença pouco comum com incidência em apendicectomias de 0,1% a 0,4% que pode ser classificada como benigno e maligno.

A mucocele do apêndice está associada à presença de três fatores: obstrução crônica da luz, esterilidade do conteúdo e atividade secretória contínua do epitélio. As causas podem ser variadas e podem ser classificadas em três entidades clínico-patológicas diferentes:

Tipo I: mucocele ou cisto de retenção, formada pela obstrução da luz do apêndice com resultante acúmulo de muco produzido pelo epitélio. Observa-se hiperplasia focal ou difusa da mucosa sem atipia epitelial. É uma lesão benigna.

Tipo II: Cistoadenoma mucinoso , é um tumor benigno cístico, parcial ou totalmente recoberto por epitélio neoplásico. Constitui a maioria dos casos de mucocele do apêndice. A ressecção simples da lesão é curativa em todos os casos.

Tipo III: Cistoadenocarcinoma mucinoso, apresenta invasão do estroma por glândulas neoplásicas, bem como de células epiteliais no material mucinoso. É um tumor maligno cístico.

Usa- se o  termo mucocele somente para as do Tipo I. Denomina-se de mucocele neoplásica as do Tipo II e III, pois estas são originadas da abundante produção de muco por epitélio neoplásico.

É mais predominante em mulheres com mais de 50 anos. O diagnóstico pré-operatório é raro, sendo na maioria das vezes confundido com apendicite aguda ou cisto ovariano. Cerca de 25 a 50% são achados incidentais ao ato cirúrgico.  Os sintomas mais frequentes são: alteração do hábito intestinal, hematoquesia, melena e anemia.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com lesões intraperitoniais (cisto de ovário, cisto de duplicação, cisto mesentárico) e extraperitoniais (inflamação, hemorragia, cisto renal, pseudocisto pancreático). Apesar do freqüente diagnóstico incidental. O exame físico bem feito com auxilio de exames adicionais de ultra-sonografia abdominal, a colonoscopia e principalmente a tomografia computadorizada podem sugerir o diagnóstico e auxiliar na escolha da tática cirúrgica.

E aí ficou alguma dúvida sobre os tipos de tumores que podem ocorrer no apêndice? Deixa aqui nos comentários. E caso suspeite de qualquer dor abdominal que persista, entre em contato conosco e marque uma consulta!

Cirurgia Oncológica

CRM-PR 27751/ RQE 25604

2 comentários em “Conheça os Principais Tumores do Apêndice”

  1. Gostaria de saber se retirada do apêndice com biopsia mostrando neoplasia mucinosa de baixo grau, mucina invade a subserosa mas não se estende a superficie serosa, margem proximal envolvida pela mucina acelular, é grave?

    1. Olá Maria,

      A neoplasia mucinosa de baixo grau é um tumor com características de menor agressividade. Somente com os dados que vc enviou, fica difícil fazer qualquer observação. Porém, em muitos casos, somente a cirurgia pode ser resolutiva; vai depender de outros fatores. Nesses casos, a avaliação médica é essencial. Caso precise, estamos à disposição para agendar uma consulta…

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